Nascida num subúrbio de Paris a 21 de Fevereiro de 1903, em Neuilly-sur-Seine. Durante a infância acabará por passar por várias cidades europeias mas os seus pais separam-se e a sua mãe, Rosa Culmell, parte para Nova Iorque com Nin e os seus dois irmãos, em 1914. Rosa Culmell era uma cantora clássica e uma mulher de sociedade. Nin diria a seu respeito no seu diário "Ela teve apenas um amor em toda a sua vida, o meu pai". O pai de Nin - um pianista-compositor de profissão, acaba por abandonar a família quando Anaïs tinha 11 anos, de acordo com a escritora. De acordo com as suas memórias a sua relação com o pai foi sempre tempestuosa e assustadora.
Uma das características da obra de Nin é o seu gosto por misturar ficção com realidade, por extravasar ou prolongar descrições que teriam um fundo factual até fantasias ou criações que apenas existiram na sua imaginação.
Já adolescente desiste da escola e começa a trabalhar como modelo. Em Nova Iorque estuda arte. Assim, Nin é em grande medida uma auto-didacta. Durante toda a sua juventude passava longos períodos de tempo lendo em bibliotecas públicas e escrevendo o seu diário. Inicialmente escrevia em francês e apenas começa a escrever em língua inglesa aos 17 anos de idade. Em 1923, casa com Hugh Parker Guiler. Quando Nin começa a sua carreira como escritora, em 1924, o casal instala-se em Paris (Louveciennes, no Chateu du Barry, propriedade da Condessa du Barry à época da Revolução Francesa) onde Guiler persegue uma carreira na banca. Guiler era também conhecido como ravador e cineasta e chega mesmo a ilustrar alguns livros da sua mulher sob o pseudónimo de Ian Hugo. Em Paris associou-se com o grupo Villa Seurat. Mais tarde, Anaïs Nin, viria a naturalizar-se americana. Nin inicia-se na escrita em colaboração com autores como D. H. Lawrence. Explora igualmente o domínio da psicoterapia estudando nomeadamente Otto Rank, um discípulo de Jung, com quem viria a ter uma relação amorosa.
A sua carreira como escritora, começa de facto com a publicação de "D.H. Lawrence: An Unprofessional Study" (1932). Esta obra foi seguida de vários livros incluindo o que é considerado por muitos como a sua obra-prima "House Of Incest" (1936), um poema em prosa que descreve os tormentos psicológicos relacionados com a sua relação com Miller e alegadamente com a mulher deste, June Mansfield. É também nesta obra que alega ter mantido uma relação incestuosa com o seu pai. Actualmente, a maioria dos estudiosos aceita a relação com o pai e com June Mansfield apenas como ficção. É também muito conhecida devido aos seus diários ("O Diário de Anaïs Nin") que começou a escrever aos 12 anos e que irão abarcar um período de 60 anos. Nin é igualmente apreciada pelos seus contos eróticos. Antes dela, poucas mulheres se atreveram a tentar este tipo de literatura (Kate Chopin é um raro exemplo com The Awakening). Foi nos anos de 1940, confrontada com graves problemas financeiros, que começou a redigir o romance Delta de Venus (também traduzido como Vénus Erotica) a um dólar por página. A sua escrita apesar de suave para os nossos dias era escandalosamente explícita para a época (apesar de seguir o estilo surrealista francês, muito em voga nessa altura) possuindo um acento particular sobre a bisexualidade feminina, orientação sexual pela qual Nin sentia muita tolerância.
Em 1973, é nomeada Doutoura honoris causa no Philadelphia College of Art. Em 1974 é eleita membro do National Institute of Arts and Letters.
Faleceu em Los Angeles em 14 de Janeiro de 1977. O seu corpo foi incinerado e as suas cinzas dispersas na Baía de Santa Mónica.
Anaïs Nin no Cinema
Em 1990, é realizado um filme por Philip Kaufman adaptado de "Henry & June" que, por sua vez, havia sido adaptado de "The Journal of Love - The unexpurgated Diary of Anaïs Nin 1931-1932". A protagonista que interpreta Anaïs Nin é a actriz portuguesa Maria de Medeiros. Fred Ward interpreta Henry Miller e Uma Thurman June.
Foi realizado no cinema um filme, Henry & June, dirigido por Philip Kaufman, que falava do período que Anaïs Nin conheceu Henry Miller. Anaïs Nin foi interpretada pela atriz portuguesa Maria de Medeiros.
Anaïs Nin na Música
Em 2005, François Bernheim e Christian Bouclier compõem a canção "Anaïs Nin", cantada pelo duo Romane Serda e Renaud.
sábado, 25 de outubro de 2008
Obras
Em busca de um homem sensível
Henry & June
Pequenos pássaros
A casa do incesto
Uma espiã na casa do amor
Fome de amor
Diários Íntimos
Delta de Vênus
Henry & June
Pequenos pássaros
A casa do incesto
Uma espiã na casa do amor
Fome de amor
Diários Íntimos
Delta de Vênus
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Lembrança de um Bestiário Humano
Em 20 minutos, apenas 20, tudo pode virar poeira, o passado ser lembrado, as pessoas, lugares, animais e plantas, a vida... ameaçam sumir.
Quando se fala em grandes potências mundiais o que vem à mente são países bem sucedidos, especificamente, os Estados Unidos. Mal se recorda o que aconteceu há 62 anos atrás. É no Japão que viajaremos agora. Apesar da cidade não transparecer lembranças do dia 06 de agosto, para muitos é e sempre será uma lembrança dolorosa e inesquecível. Naquele ano, em uma manhã como outra qualquer, em Hiroshima, as pessoas não podiam fugir, não podiam correr e nem pedir Não, pois o tempo era engolido por temperaturas semelhantes a do Sol, que deletaram do mapa pessoas e lugares num raio de até dois quilômetros de distância. Passados três dias do ataque, próximo dali a cidade de Nagasaki, porto comercial para diversos países durante muito tempo, seria o segundo alvo dos americanos e o lançamento da segunda bomba.
Durante muito tempo foram aperfeiçoadas as maneiras de se fazer guerra. Interesses econômicos, sociais, militares e até religiosos são os motivos para bestificar a mente humana. Não há dúvidas de que não temos forças para impedir o lançamento de bombas nucleares, somente uma pessoa pode decidir isso, em até 20 minutos, dando uma ordem como se fosse Deus, para quem acredita. São mais de dez mil espalhadas pelo mundo e é inaceitavelmente uma ameaça que, por qualquer descuido, possa mudar a minha e a sua vida sem percebermos.Viva a vangloriosa inteligência egocêntrica do homem. E nós? O que resta é acreditar que as pessoas não queiram viver tudo o que já foi vivido no Japão naquele agosto de 1945.
Quando se fala em grandes potências mundiais o que vem à mente são países bem sucedidos, especificamente, os Estados Unidos. Mal se recorda o que aconteceu há 62 anos atrás. É no Japão que viajaremos agora. Apesar da cidade não transparecer lembranças do dia 06 de agosto, para muitos é e sempre será uma lembrança dolorosa e inesquecível. Naquele ano, em uma manhã como outra qualquer, em Hiroshima, as pessoas não podiam fugir, não podiam correr e nem pedir Não, pois o tempo era engolido por temperaturas semelhantes a do Sol, que deletaram do mapa pessoas e lugares num raio de até dois quilômetros de distância. Passados três dias do ataque, próximo dali a cidade de Nagasaki, porto comercial para diversos países durante muito tempo, seria o segundo alvo dos americanos e o lançamento da segunda bomba.
Durante muito tempo foram aperfeiçoadas as maneiras de se fazer guerra. Interesses econômicos, sociais, militares e até religiosos são os motivos para bestificar a mente humana. Não há dúvidas de que não temos forças para impedir o lançamento de bombas nucleares, somente uma pessoa pode decidir isso, em até 20 minutos, dando uma ordem como se fosse Deus, para quem acredita. São mais de dez mil espalhadas pelo mundo e é inaceitavelmente uma ameaça que, por qualquer descuido, possa mudar a minha e a sua vida sem percebermos.Viva a vangloriosa inteligência egocêntrica do homem. E nós? O que resta é acreditar que as pessoas não queiram viver tudo o que já foi vivido no Japão naquele agosto de 1945.
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